Turismo Inclusivo

- Turismo para todos

O turismo é um fator de autoeducação e aprendizagem das legítimas diferenças entre os povos, culturas e suas diversidades e singularidades. É uma atividade associada ao descanso, à diversão, ao esporte e ao acesso à cultura e à natureza, e deveria se praticar como um meio privilegiado de desenvolvimento individual e coletivo por todos.

Todavia, para as pessoas com necessidades específicas, esta é uma atividade ainda com enormes restrições e, na maioria das vezes, absolutamente inacessível. O Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimou que, em Pernambuco, há 2.426.106 pessoas com necessidades específicas, ou seja, 27,58% dos pernambucanos. No Brasil, são 45.623.910 indivíduos, correspondendo a 23,90% da população que estão, em sua maioria, privados de frequentar e usufruir, de maneira independente, autônoma e segura, da quase totalidade dos atrativos e equipamentos turísticos do Estado e do país.

Como a procura pelo Turismo Acessível é crescente, no Brasil e no mundo a adequação às normas de acessibilidade deve ser vista como uma oportunidade e não como obrigação. Se a indústria do turismo quer manter e desenvolver a sua qualidade, sustentabilidade e competitividade, deve apoiar e desenvolver o acesso sem barreiras, físicas ou atitudinais. Entretanto, a maioria absoluta dos setores participantes do trade turístico brasileiro ainda não se conscientizou da importância que é adequar o empreendimento para atender este público, seja ele pessoa cega ou surda, com baixa visão ou audição, impedimento intelectual, fisícomotor ou com mobilidade reduzida, obesa ou idosa.

Pesquisa

Em 2013, o Ministério do Turismo divulgou os resultados de uma pesquisa qualitativa realizada nos cinco maiores destinos emissores de turismo doméstico do Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre. De acordo com a pesquisa, entre os fatores que motivam as pessoas com necessidades específicas a viajar estão “conhecer novos lugares, novas culturas, ver novas paisagens”, “visitar parentes e familiares”, “conhecer um lugar famoso ou inusitado”, “descansar e se divertir” e “trabalhar”.

Constatou-se, ainda, que as pessoas com necessidades específicas, via de regra, viajam acompanhados por familiares e amigos e prezam pelo planejamento antes de viajar. As informações são buscadas, principalmente, na internet, que possui um papel primordial no planejamento das viagens, e também através dos amigos e familiares que já conhecem o local, já estiveram lá e indicam o destino.

Entre os fatores de decisão considerados por este turista na hora de planejar uma viagem estão “hotéis com acessibilidade e quartos e banheiros adaptados às especificidades de usuários de muletas, andadores, cadeira de rodas, cegos ou surdos, com baixa visão ou audição, ou com restrição de mobilidade, “eventos culturais e artísticos”, “comércio local próximo ao hotel e também com acessibilidade e adaptações”, “transporte público acessível”, “presença de intérpretes de libras nos locais mais necessários”, “gastronomia típica” e “paisagens naturais”.

O levantamento também identificou as cidades brasileiras tidas como mais acessíveis. São elas Rio de Janeiro, São Paulo, Socorro (SP) e Curitiba. Recife foi considerada como estando “no caminho para a acessibilidade”, junto a outras cidades nordestinas como Natal, Fortaleza e Salvador.

Guia de Turismo Acessível

Junto com a pesquisa, o Ministério do Turismo lançou também o guia de turismo acessível, cujo objetivo é reunir na internet informações relevantes sobre as atrações turísticas, baseadas na vivência dos usuários. A ferramenta colaborativa possibilita ao turista com necessidades específicas ou não, avaliar estabelecimentos de acordo com o seu nível de acessibilidade. O site traz, ainda, legislações, normas e cartilhas com dicas de como se adaptar e bem receber a pessoa com necessidades específicas ou mobilidade reduzida.
Para mais informações é só clicar em www.turismoacessivel.gov.br

Legislação

A Constituição brasileira afirma que toda pessoa com alguma necessidade específica deve ter as mesmas oportunidades e alcançar a sua independência social e econômica para integrar-se plenamente na sociedade, como parte de um processo em defesa da cidadania e do direito à inclusão social. Esta afirmação é corroborada pelo Programa de Ação Mundial para Pessoas Portadoras de Deficiência das Nações Unidas (ONU, 1982) que diz que:

“Os países membros [da ONU] devem garantir que pessoas com deficiência tenham as mesmas oportunidades de desfrutar de atividades recreativas que têm os outros cidadãos. Isto envolve a possibilidade de frequentar restaurantes, cinemas, teatros, bibliotecas, etc., assim como locais de lazer, estádios esportivos, hotéis, praias e outros lugares de recreação. Os países membros devem tomar a iniciativa removendo todos os obstáculos neste sentido. As autoridades de turismo, as agências de viagens, organizações voluntárias e outras envolvidas na organização de atividades recreativas ou oportunidades de viagem devem oferecer serviços a todos e não discriminar as pessoas com deficiência”.

Ratifica e consagra estes direitos o artigo 30, “participação na vida cultural e em recreação, lazer e esporte”, da Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, incorporada em 2008 à nossa Constituição Federal.

Com o lançamento do Plano nacional de Turismo – PnT 2007/2010 – uma Viagem de Inclusão, o Ministério do Turismo tem desenvolvido ações para transformar o trade turístico brasileiro em um importante mecanismo de desenvolvimento econômico e um grande indutor de inclusão social. Atualizado em 2013 e aprovado pelo Decreto nº 7.994/2013, o novo Plano Nacional de Turismo traz metas a serem cumpridas até 2016, entre elas, os princípios universais para atendimento às pessoas com necessidades específicas, voltadas especialmente para o trade turístico:

• Hospedagem (hotéis, pousadas, resorts, albergues, motéis): garantia de destinos sem barreiras, com infraestrutura e instalações acessíveis;

• Deslocamento e translado (empresas de ônibus, locadoras de veículos, táxis, companhias aéreas, cruzeiros, portos, aeroportos, terminais rodoferroviários, empresas de receptivo): garantia de transporte por terra, ar e mar adequado para todos os usuários;

• Operadoras de turismo e agências de viagens: prestação de serviços de alta qualidade operados por pessoal treinado;

• Gastronomia (bares, restaurantes, quiosques), lazer e negócios (centros de convenções, feiras de negócios, casas de espetáculo, museus, parques temáticos, empresas de entretenimento, empresas de eventos): garantia de atividades, exposições e atrações que permitem a participação de todos;

• Informações: marketing, sistemas de reservas, sites e serviços acessíveis a todos.

Temos as ferramentas, então, é só fazer o turismo acessível acontecer.

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